domingo, 5 de abril de 2009

O Encouraçado Potemkin - 174 min

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Bronenosets Potiomkin
O Couraçado Potemkin (PT)
O Encouraçado Potemkin (BR)

P&BElenco
Aleksandr AntonovVladimir BarskiGrigori AleksandrovA. LevchinMikhail Gomorov
Género Drama
Idioma: russo
Aviso: Este artigo ou seção contém revelações sobre o enredo (spoilers).
Bronenosets Potiomkin (russo: Броненосец Потёмкин), O Encouraçado Potemkin (br), O Couraçado Potemkin (pt) ou ainda The Battleship Potemkin nos Estados Unidos, é um filme de Serguei Eisenstein, datado de 1925.
O Encouraçado Potemkin é a realização mais importante e conhecida do russo Serguei Eisenstein. O filme é considerado um marco na montagem cinematográfica. Filmado em 1925 e feito sob encomenda para comemorar os vinte anos da Revolução Russa, o filme parte de um fato histórico de 1905 - rebelião de marinheiros de navio de guerra - para criar uma obra universal que fala contra a injustiça e sobre o poder coletivo que há nas revoluções populares.
O filme é dividido em cinco partes que se ocupam em provocar uma situação tal de espaço-tempo onde todos os pormenores apresentam um significado a ser apreendido pelo espectador. De forma a transcrever idéias complexas e ideologias profundas, Eisenstein chegou ao uso de técnicas de montagem inspiradas nos ideogramas orientais. Se determinado ideograma significa "telhado" e outro, "esposa", a união dos dois é lida como lar. Desta forma, é o choque entre duas imagens aparentemente díspares que cria o impacto, o sentido a que se quer chegar.
A clássica cena na escadaria de Odessa é a quarta parte do filme. As cenas iniciais banhadas em luz e alegria são substituídas pelas imagens chocantes de repressão violenta pela guarda do Czar. A própria escada já traz, em si, um símbolo da cruel hierárquica social e política, da diferença entre as classes. A cena da mãe assassinada, cujo carrinho de bebê desce degraus abaixo, é sempre citada como uma das mais famosas da história do cinema.
Eisenstein foi precursor no uso de efeitos especiais, usou contrastes e relações de corte e montagem que ainda hoje servem como base para a realização de filmes experimentais.
Originalmente o filme teve uma partitura especialmente concebida pelo compositor alemão Edmund Meisel, que trabalhou em colaboração com Eisenstein. Com o passar dos anos o filme foi recebendo diversos acompanhamentos musicais, consoante as distribuidoras. Uma das versões mais conhecidas apresenta-o ilustrado pela Sinfonia nº 5 de Dmitri Chostakovitch. Em 2005 o filme ganhou uma versão sonorizada pela dupla britânica Pet Shop Boys em colaboração com a Orquestra Sinfônica de Dresden. Essa versão foi apresentada pela primeira vez ao ar livre na Trafalgar Square, de Londres.
Filme em domínio público nos EUA pelo Criative Commons (Public Domain Dedication).

Sergei Eisenstein

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Serguei Mikhailovitch Eisenstein (russo: Сергей Михайлович Эйзенштейн, transliteração Sergej Michajlovič Ejzenštejn) (23 de janeiro de 1898, Riga - 11 de fevereiro de 1948, Moscou) é considerado o mais importante cineasta soviético.
Relacionado ao movimento de arte de vanguarda russa, participou ativamente da Revolução de 1917 e da consolidação do cinema como meio de expressão artística.
Filho de um engenheiro descendente de judeus alemães e de uma russa, Eisenstein teve constantes atritos com o regime de Josef Stalin, devido à sua visão do Comunismo e à sua defesa da liberdade de expressão artística e da independência dos artistas em relação aos governantes, posição que era perseguida num país no qual a indústria cinematográfica sofria com a falta de recursos para se nacionalizar.
Criou uma nova técnica de montagem, chamada montagem intelectual ou dialéctica.
Com 26 anos fez “A greve”, mostrando que arte e política podiam andar juntas. Com 27, deu ao mundo “O Encouraçado Potemkin”, obra que é considerada, juntamente com "Cidadão Kane", de Orson Welles, das mais importantes na história do cinema.
Graças ao sucesso extraordinário do “O Encouraçado Potemkin”, foi chamado pela MGM e embarcou para os Estados Unidos. Só que seus projetos não decolavam, apesar de ter amigos poderosos como Chaplin e Flaherty. Eisenstein resolveu então afastar-se de Hollywood e fazer “Que Viva México”, uma obra ambiciosa sobre a história de um país e sua cultura. Infelizmente, as filmagens foram interrompidas por problemas financeiros.
Desolado, o cineasta voltou para seu país, mas nem a imprensa o perdoava por seu afastamento e pelo seu curto idílio capitalista. Quando sua carreira parecia perdida, entretanto, recebeu a ordem de filmar “Alexandre Nevski”, como uma peça de propaganda anti-germânica. E, assim como já fizera no “Potemkin”, Eisenstein construiu uma obra-prima que está acima da ideologia.
Com o prestígio recuperado, Eisenstein começou “Ivã, o Terrível”, que teria três partes. Mas então começou a II Guerra, e tudo se complicou. O cineasta morreu de ataque cardíaco em 1948.

Filmografia

Francis Ford Coppola

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Francis Ford Coppola (Detroit, 7 de Abril de 1939) é um produtor, guionista, realizador e actor estadunidense.
É pai de Sofia Coppola, também cineasta, e tio de Nicolas Cage, ator

De 1939 a 1960
Nascido em Detroit em 1939 numa família ítalo-americana, Coppola cresceu no bairro de Queens em Nova Iorque, para onde a família se mudou após o seu nascimento.
O pai, Carmine Coppola era músico e compositor (uma canção sua surge em Tucker: Um Homem e o Seu Sonho, 1988) e a mãe atriz.
Quando tinha nove anos contraiu poliomielite.

De 1960 a 1978
Coppola estudou cinema na UCLA e enquanto por lá fez inúmeros pequenos filmes, alguns pornográficos. Nos fins da década de 60, começou a sua carreira profissional realizando filmes de baixo orçamento com Roger Corman e escrevendo roteiros.
Logo a seguir à realização do seu primeiro filme You’re a big boy now, foi oferecida a Coppola a direcção da versão para cinema do musical da Broadway, Finian’ s rainbow, protagonizado por Petula Clark, no que era o seu primeiro filme nos Estados Unidos, e pelo veterano Fred Astaire. O produtor Jack Warner, mal impressionado com o aspecto hippie de Coppola, deixou-o entregue a si mesmo. Coppola pegou o elenco e foi para Napa Valley rodar os exteriores, mas as diferenças entre estas filmagens e as gravadas em estúdio eram enormes, o que resultou num filme pouco homogêneo. Sendo feito com material obsoleto, o sucesso não foi grande, mas sem dúvida o seu trabalho com Petula Clark contribuiu para a sua nomeação para o Globos de Ouro como melhor atriz.
Em 1971 Coppola ganhou um Oscar pelo seu roteiro em Patton, no entanto, o seu nome foi indicado como roteirista e diretor de The Godfather em 1972 e The Godfather: Part II em 1974, tendo ambos ganho Óscares de “melhor filme” (refira-se que “The Godfather: Part II, foi a primeira seqüência a conseguir este feito).
Durante este período escreveu o roteiro para The Great Gatsby, estrelado por Mia Farrow e Robert Redford, que foi um desastre completo em nível comercial e da crítica, e produziu o primeiro filme de George Lucas, American Graffiti.

Depois de 1979
Após o sucesso dos dois Godfather, Coppola dedicou-se a um projecto ambicioso, Apocalypse Now, baseado em Heart of Darkness de Joseph Conrad. A realização do filme foi marcada por inúmeros problemas, desde tufões, e abuso de drogas, até ao ataque de coração de Martin Sheen e à aparência inchada de Marlon Brando, que Coppola tentou esconder, filmando-o na sombra. O filme foi adiado tantas vezes, que chegou a ser alcunhado de “Apocalypse Whenever”. Quando finalmente estreou, o filme foi amado e odiado pela crítica e os seus elevados custos quase levaram ao colapso da American Zoetrope, o estúdio recém criado de Coppola. No documentário de 1991, Hearts of Darkness: A Filmmaker’s Apocalypse, dirigido pela esposa de Coppola, Eleanor Coppola, Fax Bahr e George Hickenlooper relatam as dificuldades que a equipa passou e mostra cenas dessas dificuldades filmadas por Eleanor.
Apesar dos contratempos e problemas de saúde que Coppola sofreu durante a filmagem de Apocalypse, continuou com os seus projectos. Em 1981 apresentou a restauração do filme de 1927 Napoléon, editado nos Estados Unidos pela Zoetrope. No entanto, somente em 1982 é que Francis voltou à realização, com o filme One From the Heart, que foi um fracasso enorme, tendo no entanto criado um certo culto à sua volta anos depois. Esse filme lhe deixou uma dívida de US$ 30 milhões. Isso, somado a falência de seu estúdio, o American Zoetrope, fez com que o diretor entrasse em um período conturbado, em que teve que aceitar dirigir e associar seu nome a diversos trabalhos encomendados, que normalmente não lhe despertariam interesse.
Em 1986, Coppola e George Lucas dirigiram o filme Captain Eo, com Michael Jackson, para os parques temáticos da Disney, que até à altura tinha sido o filme mais caro por minuto já feito.
Em 1990 completou a série dos "Godfather" com The Godfather: Part III que, apesar de não ter sido tão aclamado pela crítica como os anteriores, foi um grande sucesso de bilheteira.


"Bram Stoker's Dracula" (1992 - 123m)


SINOPSE
Em DRÁCULA DE BRAM STOKER, Coppola regressa à fonte inicial do mito de Dracula, e desse românce gótico, cria uma obra de arte moderna.A transformação de Gary Oldman em Dracula - que se transforma de velho em novo, de homem para monstro - é algo de realmente espectacular. Winona Ryder coloca a mesma intensidade no papel de uma jovem beldade que se torna no objecto do devastador desejo de Dracula. Anthony Hopkins é o famingerado médico que se atreve a acreditar em Dracula, e depois se atrve a confrontá-lo. Opulento, tenso e simplesmente irresistível, este é o Dracula como nunca o viu antes. E depois de ver DRACULA DE BRAM STOKER, nunca mais o vai esquecer.
REALIZADOR


INTÉRPRETES
Gary Oldman, Winona Ryder, Anthony Hopkins, Keanu Reeves, Richard E. Grant, Cary Elwes, Bill Campbell, Sadie Frost, Tom Waits, Monica Bellucci, Michaela Bercu, Florina Kendrick, Jay Robinson.

Principais prêmios e indicações
Oscar 1993 (EUA)
Venceu nas categorias de Melhor Figurino, Melhores Efeitos Sonoros e Melhor Maquiagem.
Indicado na categoria de Melhor Direção de Arte.

BAFTA 1994 (Reino Unido)
Indicado nas categorias de Melhor Figurino, Melhor Maquiagem, Melhor Produção de Arte Melhores Efeitos Especiais.
Academia de Filmes de Ficção Científica, Fantasia e Terror 1993 (EUA)
Venceu nas categorias de Melhor Ator (Gary Oldman), Melhor Figurino, Melhor Diretor, Melhor Filme de terror e Melhor Roteiro.
Indicado nas categorias de Melhor Atriz (Winona Ryder), Melhor Maquiagem, Melhor Canção, Melhores Efeitos Especiais e Melhor Ator Coadjuvante (Anthony Hopkins).

MTV Movie Awards 1993 (EUA)
Indicado na categoria de Melhor Beijo.
Fontes: Wikipédia




quinta-feira, 2 de abril de 2009

Site Cenário Cultural está divulgando gratuitamente livros de autores Sorocabanos e Votorantinenses

O objetivo está em divulgar obras e autores de Sorocaba e Votorantim, assim projetar obras locais nacionalmente e internacionalmente, tirar o escritor do anonimato e salientar o crescimento da literatura local.
Como participar?
O autor pode participar enviando a capa, a sinopse do livro e uma pequena biografia do autor para o e-mail http://br.mc329.mail.yahoo.com/mc/compose?to=contato@cintianmoraes.com.br ou se preferir se cadastrar no site pelo endereço http://www.cintianmoraes.com.br/

Observação: o Cenário Cultural não tem o caráter comercial e não venderá livros no site, o espaço existe somente para divulgar as obras. Em troca, o site gostaria se possível, ter um exemplar do livro em seu acervo físico para que, futuramente, possa colocar em funcionamento uma biblioteca móvel, onde jovens poderão ter acesso aos livros lançados nas duas cidades.

Att,
Cintian Moraes
Cenário Cultural - http://www.cintianmoraes.com.br/

sexta-feira, 20 de março de 2009

As lições de vida e morte dos grandes filósofos

Professor dos EUA produz lista divertida sobre a causa mortis dos pensadores

Sérgio Augusto

Os filósofos costumam durar mais que a gente ou é apenas impressão?

Mais que a maioria dos tiranos eles duram, e isso é um consolo. Sêneca, por exemplo, morreu com 71 anos, idade avançadíssima para a época (século 1 d.C.), ao passo que seu algoz, Nero, não foi além dos 32. Tales de Mileto, o primeiro filósofo ocidental, e Sócrates também chegaram aos 70. Demócrito atingiu o recorde de 109 anos, nove a mais que o pitagórico e místico ambulante Apolônio de Tiana. Pitágoras, Solon e Platão viveram até os 80, feito mais notável antes da Era Cristã do que os 92 alcançados pelo hermeneuta francês Paul Ricoeur em 2005. Claude Lévi-Strauss, não custa lembrar, continua vivo - e, desde novembro, centenário.
Se não foi apenas uma figura lendária, como muitos acreditam, o cretense Epimenides logrou atravessar quase dois séculos de vida, um quarto dos quais teria passado dormindo numa caverna, como um Rip van Winkle do século 6 a.C. Desconsiderem-no, portanto. Mas mantenham Calígula (que não passou dos 28) e os demais césares. Napoleão? Morreu cinquentão.
Vez por outra, alguém se interroga sobre a proverbial longevidade dos filósofos; geralmente na Inglaterra, onde também é grande o interesse em torno da maneira trágica como a maioria dos filósofos costuma partir desta para melhor. "Todos os filósofos eminentes dos últimos dois séculos ou foram assassinados ou disso escaparam por pouco", notou Thomas de Quincey, em meados do século 19.
Inspirado por essa observação, o emérito professor de filosofia D.H. Mellor, da Universidade de Cambridge, produziu uma lista de não sei quantos filósofos com sua respectiva "causa mortis"; não a verdadeira, visando dar sustentação à tese de De Quincey, mas a que o seu senso de humor, inspirado nas idéias de cada um deles, logo, só para os iniciados, ditou. Segundo Mellor, Leibniz teria (ou deveria ter) morrido de "monadanucleose"; Marx, de "causas materiais"; Henri Bergson, de "élan mortal"; Maquiavel, vitimado por uma "intriga"; e Lutero, por uma "dieta de vermes" (no original, Diet of Worms, referência à Dieta de Worms, a cimeira de 1521 na cidade alemã de Worms, em que Lutero se recusou a baixar a crista para o Vaticano).
Recentemente, outro professor de filosofia britânico, Simon Critchley, há tempos dando aula na New School for Social Research, em Nova York, investigou a suspeita firmada por De Quincey e descobriu que os grandes filósofos, vida longa à parte, não só costumam sofrer muito antes de morrer como, desde a Antiguidade, preocupam-se à beça com a questão da "boa morte".
A maioria dos 190 exemplos por ele arrolados, sob a forma de verbetes, em The Book of Dead Philosophers (O Livro dos Filósofos Mortos), editado pela Granta?s na Inglaterra e pela Vintage nos Estados Unidos, comprova essa tendência. A lista começa com os pré-socráticos e vem até o século 20. Ou seja, de Tales de Mileto (que morreu de desidratação enquanto assistia a uma prova de atletismo) a Michel Foucault (que morreu de aids) e Guy Debord (que se matou).
Sócrates foi condenado a beber cicuta. Aristóteles ingeriu uma ranunculácea venenosa. Heráclito sufocou-se em estrume de vaca. Empédocles jogou-se no vulcão Vesúvio. Diógenes ou prendeu o fôlego além da conta ou intoxicou-se com um polvo cru. Diderot engasgou-se com um damasco. Uma indigestão de patê trufado levou ao túmulo o reputado médico-filósofo do século 18 Julien Offray de la Mettrie. O poeta latino Lucrécio só morreu relativamente jovem (43 anos) porque se suicidou, no século 1 a.C. Maquiavel terminou seus dias na miséria. Karl Max tinha o corpo coberto de carbúnculos quando a morte o pegou dormindo numa poltrona. Nietzsche demorou uns 10 anos sendo consumido pela sífilis e a loucura. Roland Barthes foi atropelado por uma ambulância. Pouco antes de enfartar, Hannah Arendt caiu num bueiro ao sair de um táxi em frente ao prédio onde morava, em Manhattan. Francis Bacon meteu-se a refrigerar um frango com um punhado de neve de uma rua londrina, pegou friagem e...
De todos esses terríveis epílogos, o do filósofo e dramaturgo Sêneca foi o que mais me impressionou. Conselheiro de Nero e por este condenado ao suicídio, em 65 d.C., lembramo-nos dele na célebre pintura de Rubens (circa 1601), que nem de longe retrata as agruras por que passou antes de tomar aquele fatal banho de tacho. O estoico romano primeiro cortou os pulsos. Perdeu rios de sangue, mas continuou vivo. Aí pediu veneno (acônito, o mesmo que teria matado Aristóteles), e nada. Metido por seus serviçais num tacho de água quente, ali, finalmente, desencarnou, provavelmente sufocado pelo intenso vapor do banho.
Albert Camus só ganhou espaço no livro de Critchley por ter qualificado a morte em acidente de carro como a "mais absurda" de todas. Se Camus teve uma morte absurda, as de Periander, Pitágoras e Tycho Brahe foram patéticas, beirando o ridículo.
Periander de Corinto, um dos sete sábios da Grécia, ao lado de Tales, Solon e Chilon, tanto tramou para que seu túmulo jamais fosse encontrado, que acabou assassinado por um dos participantes da trama. Pitágoras não teria sido degolado onde hoje fica a Calábria, na Itália, se tivesse escapulido por uma plantação de feijão. (O autor do mais famoso dos teoremas detestava tanto a leguminosa que se recusava até a olhar um feijoeiro, quanto mais esgueirar-se no meio de um feijoal.) Tycho Brahe, o desnarigado astrônomo dinamarquês do século 16, grande revisor do universo ptolomaico, poderia ter chegado aos 60 anos, ou ido além disso, se não tivesse deixado para fazer xixi depois de um banquete que durou horas - e culminou com o estouro da bexiga do astrônomo.
"Morte? Não penso nisso", vangloriava-se Jean-Paul Sartre. Foi uma exceção à regra. Cícero, citado na introdução de O Livro dos Filósofos Mortos, achava que "filosofar é aprender a morrer", acrescentando: "O medo da morte é o que define a vida humana neste canto do planeta, no momento presente." Montaigne recomendava que aqueles que ensinam as pessoas a viver, isto é, os filósofos, deveriam ensiná-las também a morrer.
Num dos quatro diálogos que Platão lhe dedicou, Sócrates comenta (para Símias) que "os verdadeiros filósofos exercitam-se para morrer", daí seu pouco ou nenhum temor da morte. "Eu destoaria, se, na minha idade, me agastasse por ter de morrer em breve", diz ao igualmente velho Critão, numa cela de Atenas, às vésperas de sua "execução".
Para Epicuro, o medo da morte e o anseio da imortalidade são os sentimentos que mais arruínam nossa passagem por este mundo. Viver bem e morrer bem tinham, para ele, o mesmo peso. Se a vida deve ser entendida como uma prática ou uma preparação para a morte ("Do ponto de vista da morte, a vida nada mais é que a produção de um cadáver", escreveu Walter Benjamin, que, aliás, se suicidou em 1942), o contentamento da alma é muito mais que um vão desejo, é uma obrigação.
Contrastando com pitagoreanos, platônicos e estoicos, Epicuro via a morte como uma extinção completa e a alma, como apenas um amálgama temporário de partículas atômicas. O pai do epicurismo morreu sete anos depois de Platão. Sempre adoentado, não resistiu às dores de uma cólica renal, mas despediu-se sorrindo, afiançando a amigos e discípulos que seu sofrimento fora sempre contrabalançado pela alegria proporcionada pelos exercícios do raciocínio.
Quase dois mil anos mais tarde, o empirista escocês David Hume se despediria dos vivos na maior euforia, apesar das fisgadas que lhe pungiam o abdome. Talvez porque, segundo inconfidência de James Boswell, o maior ateu de Edimburgo passara a acreditar na possibilidade de vida depois da morte. Até Sócrates, com o pé na cova, reconsiderou seu ceticismo. "Tenho uma boa esperança de que alguma coisa espere os mortos e, segundo velha tradição, seja muito melhor para os bons do que para os maus", revelou numa conversa com Fédon e Equécrates. E sorveu em paz sua cicuta.