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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O Big Brother tem novidades, mas nunca perde a essência

Cintian Moraes - 31/01/09
Ao contrário do que muita gente imagina, o Big Brother não é apenas um programa de televisão inventado na Holanda, esse nome foi usado em 1948 pelo jornalista inglês Eric Artur Blair, que assinava com o pseudônimo de George Orwell.
O escritor publicou a obra Animal Farm, que no Brasil recebeu o título de A revolução dos bichos, trata-se de uma alegoria político-infantil que denunciava a suposta predisposição da humanidade para a violência e como um grupo de pessoas que conviviam com o governante poderia tomar o poder em nome do povo. Orwell foi impulsionado a escrever sobre as cicatrizes do Ocidente que ainda estavam abertas pelos regimes totalitários de Adolf Hitler, na Alemanha nazista e de Joseph Stálin, na União Soviética comunista. A obra A revolução dos bichos usa as palavras “granja” dirigindo-se à sociedade e “porcos” dirigindo-se aos ditadores, tudo para relacionar ao regime. No mesmo ano, o jornalista também escreveu o livro 1984, que é a seqüência dos seus pensamentos cuja sua maior preocupação era denunciar o controle do Estado sobre os cidadãos.
O romance 1984 é uma forma pessimista de ver o resultado da guerra para o futuro da humanidade dominada pelo totalitarismo que é o “Estado Maior”. Foi nessa obra de Orwell que surgiu então o personagem chamado “Big Brother”, que ele se dirigia ao “Todo Poderoso” do poder.
O livro 1984
O romance retrata um Estado onipresente (que está presente em toda parte), com capacidade para alterar a história e o idioma, de manipular, oprimir e torturar o povo, com o objetivo de manter a sua estrutura inabalada. Estrutura essa onde havia a total separação social, não havia imprensa livre, sindicatos ou associações e nem mesmo famílias harmoniosas, só se encontrava a tirania e a vigilância coesa do Estado. Todos os cidadãos eram obrigados a amar e a seguir a risca todos os comandos do regime do poder supremo. Para garantir a manutenção do regime totalitário, toda a sociedade era controlada por Teletelas que eram ao mesmo tempo televisor e câmera de vigilância que não poderiam em hipótese alguma ser desligadas, apenas ter o seu volume diminuído.
Quem controlava essas Teletelas, que funcionavam para vigiar os cidadãos, era o dirigente máximo chamado de Grande Irmão o “Big Brother”. O tirano não tinha nome e nunca foi visto em público, tratava-se de um anônimo.
O livro conta a história de um funcionário do Ministério da Verdade, Winston Smith, que tem a função de reescrever e alterar dados de acordo com o interesse do poder.
Smith questiona a opressão que o Estado exerce sob os cidadãos e se revolta, mas ele sabe que se alguém pensasse diferente, cometeria crimidéia (crime de idéia) e fatalmente seria capturado e vaporizado, isso é, desaparecia do mapa.
Smith se apaixona por Julia que também serve ao Partido e se alia a ela, juntos conhecem O’Brien que de primeiro momento acredita ser um aliado. Os pensamentos de Smith são descobertos e ele é preso e torturado por O’Brien que o traía e que também já havia sido torturado pelo mesmo motivo. Para Smith, só restava se entregar às obrigações do Partido e amar o Grande Irmão. Júlia também passa pelas mesmas torturas e os dois se rendem e se adaptam completamente ao mundo totalitário.
Esta idéia deu origem ao formato do programa de televisão o Big Brother.
Como o programa de TV consiste numa casa em que os participantes são vigiados por câmeras, a comparação é feita á partir de que os telespectadores vigiam os participantes e eliminam aqueles que não são considerados bons, assim como no enredo do livro.
O programa Big Brother Brasil
No dia 16 de setembro de 1999, o canal holandês Verônica lançou o primeiro programa de TV da série Big Brother. No ano seguinte, o fenômeno se espalhou por outros 19 países, como Alemanha, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra, Portugal, Suíça, Suécia e Bélgica. Em todos eles, o programa virou sinônimo de sucesso e audiência. Seus participantes e vencedores tornaram-se celebridades da noite para o dia e faturaram fortunas em prêmios. Em 2002, foi apresentado o primeiro Big Brother Brasil pela Rede Globo de Televisão. Como não seria diferente dos outros países, aqui o programa também virou febre e se tornou um líder em audiência como diz Pedro Bial, apresentador do programa.
Neste ano, na nona edição, o Big Brother Brasil apresentou algumas das novidades aos telespectadores como “A Casa de Vidro” uma bolha montada no Via Parque Shopping, o lado “A” e “B” que divide a casa e dois participantes sexagenários integrantes da equipe. Ao que tudo indica essa nona edição ainda trará mais novidades.

Cintian Moraes
Jornalista graduada pela Universidade de Sorocaba, especializada em Webjornalismo, produtora e editora do Site Cenário Cultural, organizadora da Coletânea infanto-juvenil Rodamundinho 2008 e assessora de comunicação da Semana do Escritor de Sorocaba e Região. Apaixonada por webjornalismo e por literatura brasileira e regional.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Livros e canções politicamente corretos não ajudam na educação

Publishnews - 11/12/2008 - por Redação

A cantiga "atirei o pau no gato" em algumas escolas passou a ser cantada como "não atirei o pau no gato", o "boi da cara preta" como "boi do Piauí". As chamadas expressões politicamente corretas invadiram o nosso cotidiano. Conforme o Jornale Curitiba, uma tese de doutorado, defendida no início do mês na Faculdade de Educação da USP, analisou a presença do politicamente correto nos livros e cantigas infantis e concluiu que a presença destas expressões não contribui para uma melhora na educação das crianças. Ilan Brenman, responsável pela pesquisa intitulada “A condenação de Emília: uma reflexão sobre a produção de livros politicamente corretos destinados às crianças”, é escritor de livros infantis e contador de histórias. De acordo com o Jornale, ele se interessou pelo tema porque é afetado no seu cotidiano profissional, por professores e leitores que reclamam de histórias com temáticas consideradas violentas ou inadequadas à infância: morte, guerra, ciúme, raiva, etc.

A arte se torna arte ao ser consumida, diz Lobão

Folha de São Paulo - 11/12/2008 - por Redação

Para o cantor e compositor Lobão, não há dúvida de que a arte mantém seu potencial transformador mesmo ao se tornar produto de consumo: "A arte se torna arte quando é consumida", disse ele na noite de terça-feira, no auditório do Masp, no debate "Cultura e Consumo". Em comemoração dos 50 anos da Ilustrada, o encontro teve mediação do jornalista Alcino Leite Neto, editor de moda da Folha. Cristovão Tezza, escritor mais premiado de 2008, destacou que "um livro é um produto cultural como qualquer outro, de forma mais forte do que em qualquer época da história".

Heróis dos quadrinhos lutam pelo direito de sair do armário

Último segundo - 09/12/2008 - por Javier Sauras

Após os atentados de 11 de setembro de 2001, o mundo das histórias em quadrinhos mudou seus roteiros para refletir a nova realidade mundial. Agora, há um debate entorno dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo e as grandes editoras se perguntam: pode um super-herói ser gay? As duas linhas mais conhecidas de revistas, Marvel e DC, estão avançando a passos de tartaruga para medir como o público tradicional de quadrinhos aceita que seus heróis "saiam do armário". E, embora o processo se desenvolva muito lentamente, alguns personagens dos quadrinhos já reconheceram abertamente seu homossexualismo. Apesar de não ter sido o primeiro, o caso de Midnighter e Apollo, do grupo especial The Authority, foi o mais famoso. Warren Ellis e Bryan Hitch criaram com essa série o modelo de super-herói do século 21, colocando os protagonistas diante de conflitos modernos.

Função da arte não é fazer política, diz Gullar

Folha de São Paulo - 10/12/2008 - por Redação

O peso do mercado na vida cultural, encerrado o período da ditadura militar e o ciclo das utopias de esquerda, esteve no centro do debate "Cultura e Política", que aconteceu na noite desta segunda-feira, no auditório do Masp. Mediado pelo jornalista Fernando de Barros e Silva, editor de Brasil, o debate, primeiro de uma série de três, faz parte das comemorações dos 50 anos da Ilustrada. A psicanalista Maria Rita Kehl destacou que o mercado passou a pautar opiniões sobre a produção cultural numa lógica segundo a qual "as coisas têm valor porque se vendem". O compositor Caetano Veloso, que começou o debate tentando lembrar, em vão, um trecho de seu livro Verdade Tropical, foi em sentido contrário: "A gente, que trabalha nessas criações mais vendáveis, enfrenta uma perversão oposta: há uma idéia de que uma coisa não é boa porque vende". O poeta e colunista da Folha Ferreira Gullar, que arrancou risos da platéia, disse que as relações entre arte e política, como aconteceram nos anos 60, já não fazem o mesmo sentido. Já o cineasta Cacá Diegues, ao destacar o papel da tecnologia, afirmou que a pirataria não é um problema de polícia. Confira a opinião de alguns convidados do encontro.